Chernobyl
14
anos depois...!
Quatorze
anos depois do acidente de Chernobyl, o contínuo declínio
da indústria da energia nuclear continua.
Em
31 de dezembro de 1995, havia 430 reatores nucleares em operação
no mundo. A capacidade nominal de todas essas usinas, juntas, era de quase
340 gigawatts (GW).
Elas
produziam cerca de 17% da eletricidade de todo o planeta.
Na
mesma data, apenas 36 usinas estavam sendo construídas (com capacidade
nominal de 30 GW), o menor número de usinas em construção
dos últimos 25 anos. A maioria delas tem conclusão marcada
para os próximos anos - embora atrasos nos cronogramas continuem
a importunar a indústria.
Além disso, muitas das usinas terminadas continuam inativas, enquanto
outras foram interrompidas ainda na fase de construção (ficaram,
no jargão da indústria, "mothballed" , ou "de prontidão"
- isto é, recebem manutenção que possibilite a retomada
das obras quando necessário). Embora mais de 80 reatores (19 mil
MW) tenham sido definitivamente fechados, muitas perguntas relativas a
programas de longo prazo para o descomissionamento (desmontagem definitiva
e descontaminação das instalações) continuam
sem resposta.
Américas do Norte e Latina
A América
Latina tem apenas cinco reatores nucleares em operação: dois
na Argentina, dois no México e um no Brasil. Os cinco têm
graves problemas técnicos e são desativados com freqüência.
Brasil - A única usina em operação, Angra I, ganhou
até um apelido: "vaga-lume", tantas vezes "acende e apaga". Os planos
para o setor elétrico brasileiro, nos anos 70, eram muito mais ambiciosos:
quando assinou o Acordo Nuclear com a Alemanha, em 1975, o país
planejava instalar oito novos reatores. O único a ser construído
-
Angra II - teve suas obras interrompidas por mais de dez anos, enquanto
os custos ultrapassavam todas as previsões iniciais. Inacabada,
a usina é hoje uma das mais caras do mundo.
Além do Brasil, o único país do Continente a estar
construindo um reator é a Argentina. Os dois de Cuba - projetados
pelos soviéticos e parcialmente construídos - foram deixados
de lado em 1992.
Estados Unidos - A última encomenda, não cancelada, de reator
nuclear ocorreu há 23 anos. Em pouco mais de três décadas,
as empresas de energia elétrica norte-americanas cancelaram 123
projetos de usinas nucleares (representando um total de 135 mil MW de capacidade
de geração anual) - bem mais do que todo o parque energético
de origem nuclear instalado no país (109 reatores e 99 mil MW).
Canadá - Em 1995, não havia qualquer reator em construção
no país. Cinco anos antes, a Ontario Hydro prometia construir dez
reatores até 2014. Cancelou-os. Dos reatores em operação,
um foi desativado em 1995.
Europa Ocidental
Em 1957, a promoção da energia nuclear na Europa era considerada
tão importante que motivou a criação da Comunidade
Européia de Energia Atômica (Euratom). Na União Européia
de hoje, sete dos quinze estados-membros não operam reatores comerciais
de energia nuclear: Portugal, Irlanda, Luxemburgo, Dinamarca, Itália,
Grécia e Áustria. Se a Suécia mantiver-se fiel à
decisão de banir a energia nuclear até 2010, conforme decidido
em plebiscito, em 1980, os estados-membros da CE que não utilizam
energia nuclear passarão a ser maioria.
Suécia - O novo governo propôs recentemente fechar um reator
nos próximos quatro anos. No referendo de 1980, os suecos votaram
a favor de um phase-out (abandono definitivo da energia nuclear), e o Parlamento
estabeleceu a data-limite tomando como base a vida útil - de 25
anos - dos reatores.
Em fevereiro de 1995, a comissão do governo sueco encarregada de
rever a política energética concluiu que, embora os 12 reatores
nucleares do país - que geram cerca da metade da energia elétrica
produzida na Suécia -, possam, tecnicamente, ser desativados até
2010, o custo disso seria muito alto. Segundo a comissão, o descomissionamento
em época posterior seria economicamente mais barato. Essa constatação
não impediu que a Comissão Sueca de Energia, ao concluir
seus trabalhos, em dezembro de 1995, mantivesse a idéia de banir
a energia nuclear - apesar do enorme lobby da indústria nuclear.
A comissão sugeriu também que diversas medidas econômicas
restritivas fossem anexadas à legislação sueca. A
decisão final sobre se 2010 será ou não a data para
o phase-out, bem como sobre os instrumentos legais necessários para
isso, deverá ser tomada pelo governo sueco ainda em 1996. Recentemente,
o Congresso do Partido Social Democrata (no poder) antecipou-se ao governo
e anunciou sua decisão de fechar as usinas nucleares da Suécia.
França - É, em toda a União Européia, o único
país com reatores nucleares em construção. Em 13 de
novembro de 1995, o consórcio franco-alemão Framatome-Siemens
apresentou "o estado da arte" no setor: o projeto do Reator Europeu de
Água Pressurizada (EPR, de 'European Pressurized Water Reactor').
O EPR é anunciado por seus construtores como o reator nuclear "inerentemente
seguro" da próxima geração. Seus promotores esperam
que o EPR tenha de 10 a 100 vezes menos risco de fusão do núcleo
que os atuais Reatores de Água Pressurizada (PWR, de 'Pressurized
Water Reactor'). Essa tentativa de aumentar os padrões de segurança
dos reatores demonstra que os níveis de segurança atuais
são totalmente inadequados. A entrada em operação,
na França, do primeiro EPR (considerado "de demonstração")
está marcada para 2005. Além da estatal Eletricité
de France (EDF), até agora nenhuma outra empresa comprometeu-se
a encomendar um EPR - nem mesmo as companhias de eletricidade alemãs.
Como o custo oficial estimado de construção do EPR é
no mínimo 15% maior do que os dos reatores nucleares tradicionais,
o futuro comercial do reator "da próxima geração"
permanece altamente incerto.
Inglaterra - Depois de rever o processo de privatização
da indústria nuclear, o governo britânico constatou que não
havia justificativa econômica para o financiamento público
da construção de novos reatores. Em dezembro de 1995, a British
Energy anunciou o cancelamento de duas usinas projetadas.
Finlândia - O Parlamento votou, em setembro de 1993, contra a proposta
do governo de construir um quinto reator no país. Espanha - Em abril
de 1991, o governo confirmou a moratória (adotada em 1983) na construção
de usinas nucleares. Em janeiro de 1995, uma nova lei cancelou definitivamente
a construção dos cinco reatores que estavam "de prontidão"
desde a moratória.
Holanda - O governo decidiu, em dezembro de 1994, após grande debate
parlamentar, somente autorizar a operação do reator de Borssele
até 2004 -e, mesmo assim, sob condições estritas de
vigilância -, apesar da forte pressão da empresa operadora,
que queria prorrogar a "vida útil" do reator até 2007.
Alemanha - Quase imediatamente após a reunificação
do país, velhos reatores da Alemanha Oriental foram fechados. Protestos
públicos contra depósitos e transporte de lixo atômico
fortaleceram o sentimento antinuclear entre a população alemã.
As reuniões do Consenso de Energia - negociações entre
as indústrias, o governo federal e o partido de oposição
SPD - foram interrompidas em meados de 1995, sem chegar a qualquer acordo
quanto a encomendas de novos reatores.
Bélgica, - Sete reatores nucleares atendem a cerca de 55% da demanda
de eletricidade do país. Uma comissão especial do Senado
decidiu, em 1991, que não poderiam seriam construídos reatores
nucleares em áreas localizadas a até 30 km dos centros populacionais.
Isso significa, na prática, proibir novos reatores, já que
naquele país pequeno e densamente povoado, simplesmente não
existe um lugar que escape à restrição. Em dezembro
de 1995, o setor elétrico belga apresentou seu plano para o período
1995-2005. Ainda que não preveja novas usinas nucleares para os
próximos dez anos, o plano foi duramente criticado por não
conter uma política efetiva de eliminação da energia
nuclear.
Suíça - Há cinco reatores funcionando atualmente.
Depois de um plebiscito realizado em 1990, a Suíça adotou
a moratória na construção de reatores novos até
o ano 2000. Em 1992 e em 1994, as licenças de funcionamento dos
reatores Muehleberg e Beznau-2 foram prorrogadas temporariamente - por
somente dez anos -, e não por período ilimitado, como queriam
as concessionárias de energia.
A lei suíça obriga a existência de um depósito
de destinação final de lixo radioativo antes que qualquer
reator seja encomendado. Em 1995, a população do Cantão
de Nidwalden rejeitou, num plebiscito, a construção de um
depósito desse tipo, tornando incerto o futuro da energia nuclear
naquele país.
AAgência de Energia Nuclear da OCDE (Organização para
Cooperação e Desenvolvimento Econômicos) afirma, em
seu "Relatório de Atividades de 1993", que devido ao baixo número
de encomendas de novas novas usinas, em comparação com o
número de reatores desativados - até mesmo antes do final
do prazo de vida útil -, a viabilidade da indústria nuclear
chegou a um impasse, assim como a confiança dos investidores do
setor. Com raros contratos nos países ocidentais, as tradicionais
empresas de construção de usinas nucleares procuram novos
mercados. Numa tentativa de sobreviver, elas se voltaram para a Ásia
e a Europa Oriental. Contudo, a energia nuclear nessas regiões continua
às voltas com problemas.
Europa Central e Oriental
Rússia - Apesar dos planos oficiais para complementação
e construção de até 10 reatores até 2005, os
representantes da indústria, segundo fontes do setor, já
foram alertados que, até o ano 2000, só haverá financiamento
para dois reatores - em Kalinin e Rostov.
Em novembro, a companhia alemã Siemens assinou uma carta de intenções
para fornecer equipamento e sistemas de controle destinado ao desenvolvimento
da nova geração de reatores russos, chamada VVER 640. Em
princípio, um reator VVER 640 será construído no complexo
de Sosnovy Bor. Há propostas para outros reatores em Kola, bem como
expectativa de vendas potenciais para o exterior.
Ucrânia - A operação das unidades 1 e 3 da usina nuclear
de Chernobyl continua a ser alvo da atenção internacional.
Em dezembro de 1995, foi assinado um "Memorando de Entendimento" entre
os governos ucraniano e dos países do Grupo dos Sete e da União
Européia. Esse memorando tem por objetivo o fechamento de Chernobyl
no ano 2000 e delineia um programa de ajuda financeira internacional, envolvendo
um total de US$ 2,3 bilhões. O maior projeto do pacote refere-se
à conclusão de dois novos reatores. Segundo estimativas atualizadas
do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (EBDR,
de European Bank for Reconstruction and Development), a conclusão
desses reatores custará aproximadamente US$ 800 milhões.
Em agosto de 1995, foi acionado o sexto reator da central nuclear de Zaporozhe.
Em 1995, essa central apresentava o pior índice da Ucrânia
em termos de segurança, segundo a Unian, agência de notícias
do país.
Armênia - A segunda unidade da central nuclear de Medzamore foi
religada em outubro de 1995. A usina fora fechada em 1988, por causa da
forte oposição popular. Há uma grande carência
de energia no país, devido à falta de investimentos e ao
bloqueio no suprimento de energia em decorrência da guerra de sete
anos entre a Armênia e o Azerbaijão.
O religamento do reator gerou protestos dos vizinhos Azerbaijão,
Geórgia e Turquia, que consideram a usina de Medzamore uma ameaça
ao ambiente. Representantes do governo americano também protestaram,
afirmando que ela está entre as mais perigosas do mundo.
Bulgária - O governo autorizou a volta à operação
do reator número 1 da usina nuclear de Kozloduy, em outubro de 1995.
A medida foi tomada apesar das objeções de governos ocidentais,
da Comissão Européia e das organizações de
segurança da Europa Ocidental. Como resultado, uma das principais
concessionárias ocidentais de energia na região, a Eletricité
de France, ameaçou retirar seu pessoal da área.
República Tcheca - Apesar da assinatura de um acordo de financiamento
para a conclusão de dois reatores na usina nuclear de Temelin, em
março de 1994, as obras estão praticamente paralisadas. A
construção, a cargo da Westinghouse e parcialmente financiada
pelo Banco de Exportação e Importação dos Estados
Unidos (Eximbank), parou, em parte devido a questões de definição
de responsabilidades dos agentes envolvidos e em parte por problemas legais.
Eslováquia - O país iniciou, em dezembro de 1994, um programa
de participação popular para avaliar a viabilidade técnica,
econômica e pública de se concluir as duas primeiras unidades
da usina nuclear de Mochovce. A conclusão dos reatores, usando tecnologias
francesa, alemã, russa, tcheca e eslovaca, com financiamento do
EBRD, da Comissão Européia e das agências de crédito
dos governos francês e alemão. Se concluído, o reator
seria o primeiro de desenho soviético finalizado por companias da
Europa Ocidental.
Em março de 1995, após o término do programa de participação
popular, o governo eslovaco pediu a suspensão do projeto das usinas
junto ao banco financiador. Posteriormente, informou-se que o governo eslovaco
ficara insatisfeito com o preço total do projeto, quase US$ 1 bilhão,
e com as condições que o EBRD propôs para o empréstimo.
A empresa de eletricidade eslovaca ainda busca financiamento para completar
o projeto e prepara um pacote que prevê maior envolvimento da Minatom
(da Rússia), de bancos e empresas tchecos, bem como da alemã
Siemens. Contudo, o futuro de Mochovce ainda está muito longe de
ser considerado garantido.
Ásia
No Leste da Ásia, Japão, Coréia do Sul, China e Taiwan
têm planos de expandir seus programas de energia nuclear.
Coréia do Sul - Técnicos sul-coreanos estimam que os custos
de conclusão de cinco reatores atualmente em obras tendem a atingir
o dobro do preço dos reatores já em operação.
Além disso, a oposição popular à energia nuclear
e, em particular, à construção de depósitos
de lixo atômico, cresce a cada dia.
Taiwan - As discussões sobre como tratar os resíduos radioativos
das seis usinas nucleares do país continuam a afetar a indústria.
Enquanto isso, os planos para dois novos reatores foram adiados - devido
à oposição popular e à escalada dos custos.
Japão - Tinha, no final de 1995, 50 reatores nucleares em funcionamento
e outros quatro em construção. Na projeção
oficial de oferta e demanda de energia a longo prazo, divulgada pelo Ministério
de Comércio e Indústria Internacional (Miti) em 1992, previa-se
a construção de mais 40 reatores nucleares. Recentemente,
contudo, tornou-se óbvio que esse "plano oficial" é irrealista.
Todas as nove empresas de eletricidade do país cambaleiam sob o
peso da dívida acumulada no passado com a construção
de usinas nucleares. Em conseqüência disso, em agosto de 1995
essas empresas retiraram-se unilateralmente do projeto de construção
do "Reator Térmico Avançado" (ATR, de Advanced Thermal Reactor).
As perspectivas para a energia nuclear no Japão ficaram ainda piores
com as novas medidas de desregulamentação do mercado da eletricidade,
em vigor desde 1º de janeiro de 1996. A principal mudança foi
o fim da cobrança, pelas companhias de eletricidade, do "prêmio"
de 8% (subsídio) para garantir seu "retorno de investimento". No
futuro, o preço da eletricidade para o consumidor japonês
será regulado pelo governo e as empresas geradoras somente conseguirão
lucro se reduzirem seus próprios custos. Isso, inevitavelmente,
vai tornar patente a desvantagem da energia nuclear em termos de custos.
Em dezembro de 1995, o setor eletro-nuclear japonês sofreu grande
perda de confiança por parte da população em decorrência
de vazamento de material refrigerante a base de sódio ocorrido no
reator Monju (um Fast Breeder): a indústria nuclear japonesa tentou
acobertar a real dimensão dos danos.
Hong Kong - Os moradores de Hong Kong manifestam grande preocupação
com a pouca distância que os separa dos reatores da Baía de
Daya, na China. O temor em relação à usina aumentou
quando, pouco depois do início da construção, os engenheiros
descobriram que metade dos vergalhões de reforço vertical
das fundações foram deixados expostos. Embora o problema
tenha sido corrigido, a confiança quanto à segurança
dos reatores da Baía de Daya sofreu abalos duradouros. Os planos
para a expansão da usina continuam a ser postergados. Coréia
do Norte - Os governos ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, prometeram
até US$ 400 milhões em óleo combustível e dois
grandes reatores nucleares de padrão ocidental em troca da garantia
norte-coreana de cortes no desenvolvimento de armas nucleares.
Índia - Cinco novos reatores estão em fase de construção.
Em 1993, os nove reatores indianos em funcionamento tinham fator de capacidade
de apenas 39%, muito abaixo da faixa média de 60 a 80% da maioria
dos países. Em 1994, uma laje de concreto de 130 toneladas, do vaso
de contenção, ruiu em um reator em construção
em Kaiga, aumentando a incerteza a respeito da segurança das usinas
nucleares indianas.
Recentemente, Vietnã, Tailândia e Filipinas expressaram interesse
na energia nuclear. Os planos, contudo, permanecem em fase muito embrionária.
Já a Indonésia confirma muito lentamente pedidos que os fornecedores
antecipavam há bastante tempo.
Sombras - No total, a metade das novas usinas em construção
no mundo está na Ásia. Ainda que a nuclear seja a única
fonte de energia elétrica ativamente promovida por uma agência
das Nações Unidas, esta nunca cumpriu sua promessa de garantir
segurança energética aos países recém-industrializados.
Contrariamente à sua pequena participação na produção
de eletricidade, a energia nuclear contribui de forma muito significativa
para a dívida externa das nações recém-industrializadas.
Além disso, todo reator nuclear comercial produz quantidades significativas
de plutônio e a maior parte da tecnologia nuclear pode ser empregada
tanto para fins civis quanto para fins militares. À medida que a
tecnologia nuclear se espalha pelo planeta, aumenta o risco de proliferação
de armas nucleares.
Por fim, o custo crescente do descomissionamento de instalações
nucleares paira como uma sombra sobre o futuro da indústria. Um
exemplo: a construção da usina de Yankee Rowe, no oeste de
Massachusetts, EUA, custou cerca de US$ 186 milhões em 1960. A usina
foi fechada em 1991. Desmontá-la totalmente vai custar US$ 370 milhões.
Se governos e empresas têm passado por maus momentos ao tentar justificar
o custo de construção e operação de usinas
nucleares, um novo pesadelo os espera na hora de apresentar à opinião
pública a conta do fechamento dos reatores em final de vida útil.
Conclusão
Nas últimas duas décadas, houve um declínio constante
da indústria nuclear em todo o planeta. A queda começou nos
Estados Unidos, nos anos 70, e resultou no cancelamento de mais de 120
usinas nucleares. A partir daí, o que se viu foi o cancelamento
de planos e de reatores nucleares pelo mundo todo. Hoje, na Europa Ocidental,
apenas a França ainda tem reatores em construção,
ao mesmo tempo em que na Europa Central e na Oriental só uns poucos
estão sendo construídos. Mesmo na Ásia, que freqüentemente
é apontada como o mercado mais promissor para as indústrias
de usinas nucleares, os programas de construção de reatores
vêm sendo reduzidos e cancelados.
É provável que essa tendência declinante continue na
próxima década - e seja até mesmo acentuada, à
medida que os custos econômicos e ambientais da desativação
e do gerenciamento do lixo atômico venham à luz.
Contudo, a indústria nuclear não desistiu. E pretende projetar
uma nova geração de reatores que, segundo afirma a indústria,
será "segura e barata", na linha do Reator Europeu de Água
Pressurizada (EPR), e do VVER 640 russo.
A indústria nuclear teve quase 50 anos para provar que sua tecnologia
é segura, limpa e barata - e não conseguiu. Em vez da eletricidade
"barata demais para ser medida", como apregoavam seus primeiros defensores,
o que se constata hoje é que a energia nuclear tem custos ambientais
e econômicos altos demais para se medir. Não é hora
de os governos darem mais subsídios para o desenvolvimento de uma
nova série de reatores nucleares. À medida em que se aproxima
o século 21, as fontes de energia renovável mostram claras
vantagens ambientais e econômicas em relação à
energia nuclear. Chegou a hora de abandonar de vez a tecnologia nuclear
e se começar a implementar a Era Solar.

