Lixo atômico
O lixo atômico é produzido em todos os estágios do
ciclo do combustível nuclear- desde a mineração do
urânio até o reprocessamento de combustível nuclear
irradiado. Grande parte desse lixo permanecerá perigoso por milhares
de anos, deixando uma herança mortal para as futuras gerações.
Durante o funcionamento de um reator nuclear são criados isótopos
radioativos extremamente perigosos - como césio, estrôncio,
iodo, criptônio e plutônio. O plutônio é particularmente
perigoso, já que pode ser usado em armas nucleares se for separado
do combustível nuclear irradiado por meio de um tratamento químico
chamado reprocessamento.
Como parte da operação de rotina de toda usina nuclear, alguns
materiais residuais são despejados diretamente no meio ambiente.
Resíduo líquido é descarregado (como "água
de resfriamento de turbina") no mar ou em rio próximo à usina;
resíduos gasosos vão para a atmosfera.
Há três categorias de lixo atômico: resíduo de
alto nível (HLW, de high level waste); resíduo de nível
intermediário (ILW, intermediate level waste); e resíduo
de baixo nível (LLW, de low level waste).
O HLW consiste principalmente de combustível irradiado proveniente
dos núcleos de reatores nucleares (embora a indústria nuclear
não o considere como "lixo") e de resíduos líquidos
de alta atividade produzidos durante o reprocessamento. A remoção
de plutônio pelo reprocessamento resulta num imenso volume de resíduo
líquido radioativo. Parte desse mortal resíduo de reprocessamento,
armazenado em grandes tanques, é misturado com material vítreo
quente e solidificado. Os blocos de vidro resultantes também são
classificados como HLW. Ainda que o processo de vitrificação
possa tornar mais fácil o transporte e o armazenamento do lixo atômico,
de forma alguma diminui o terrível risco para as pessoas e o ambiente
durante o milênio que virá. De maneira geral, o HLW é
mil vezes mais radioativo que o ILW.
O ILW consiste principalmente de "latas" de combustível metálicas
que originalmente continham urânio combustível para usinas
nucleares, peças de metal do reator e resíduos químicos.
Têm de ser blindado para proteger operários e outras pessoas
contra a exposição durante o transporte e a destinação
final. Normalmente, ele é estocado no local em que é produzido.
O ILW, de maneira geral, é mil vezes mais radioativo que o LLW.
O LLW pode ser definido como o resíduo que não requer blindagem
durante o manuseio normal e o transporte. O LLW consiste principalmente
de itens como roupas de proteção e equipamentos de laboratório
que possam ter entrado em contato com material radioativo.
Destinação final do lixo atômico
O combustível nuclear altamente radioativo é retirado do
reator e, em geral, vai sendo armazenado temporariamente em piscinas de
resfriamento no interior da própria usina. À medida que essas
piscinas vão ficando cheias, muitos reatores chegam a ter de ser
desligados devido à falta de espaço para armazenamento desse
resíduo mortal. De acordo com estimativas da Agência Internacional
de Energia Atômica (AIEA), a quantidade total de combustível
gasto era de 125 mil toneladas em 1992 e vai subir para 200 mil toneladas
no ano 2000 e para 450 mil toneladas em meados do próximo século.
Contudo, embora diversos métodos de destinação tenham
sido discutidos durante décadas - incluindo o envio para o espaço
- ainda não há solução para o lixo atômico.
A maioria das "soluções" atualmente propostas para a disposição
final do lixo atômico envolve seu enterro no subsolo numa embalagem
especial com proteção forte o bastante para impedir que sua
radioatividade escape. A indústria nuclear dá a entender
que, após qualquer forma de processamento, a disposição
no subsolo ou no fundo do mar será suficientemente segura. Essa
filosofia foi gerada principalmente devido às pressões de
ter de convencer um público preocupado em saber se a indústria
nuclear sabe como dar destinação final a esses resíduos.
Contudo, essa afirmativa é falsa.
Pretender, como a indústria nuclear freqüentemente o faz, que
algumas experiências, perfurações de teste ou levantamentos
geológicos é tudo o que é necessário para o
manejo do lixo atômico simplesmente é dissimulação
ou ignorância científica - ou, possivelmente, ambas as coisas.
Os testes adequados demandariam dezenas de milhares de anos
Há dois riscos principais no enterro de lixo atômico: a contaminação
do ar e a da água.
*Contaminação do Ar*
As liberações explosivas ou lentas de gases de um sítio de destinação final subterrâneo são possíveis teoricamente. Infelizmente, não há forma confiável de estimar esse risco - há incógnitas demais relativas aos atuais métodos de deposição e às interações químicas possíveis num ambiente real.
*Contaminação da Água*
Geralmente este é considerado o mecanismo de poluição
mais provável ligado à disposição final de
resíduos em rochas. Elementos radioativos podem vazar do invólucro
e entrar em contato com o lençol freático, contaminando água
potável de comunidades locais e distantes.
Além do enterro dos resíduos, vários esquemas de armazenamento
no local de uso estão sendo investigados. Nisso, o armazenamento
de combustível usado em grandes recipientes de aço ou concreto
é de interesse primordial. Ainda que esse tipo de armazenamento
conserve o material no ponto em que foi criado e reduza os custos de transporte,
centenas de comunidades de todo o mundo estão ameaçadas de
fato por depósitos de alto nível às suas portas. Também
há.planos para consolidar o combustível usado e colocá-lo
em contêineres em algumas poucas instalações regionais
de superfícies, o que resulta num número imenso de viagens
em recipientes não destinados a resistir a possíveis acidentes.
A melhor solução para o futuro é que não mais
seja produzido lixo nuclear em qualquer parte do mundo.
Desmontagem de usinas nucleares
Grande quantidade de lixo atômico também é produzida
quando um reator nuclear é desativado. Isso porque muitas das peças
que o compõem, incluindo o combustível, tornam-se radioativas.
Não podem simplesmente ser jogadas fora. O processo de tratamento
de uma usina de energia nesse ponto é chamado "descomissionamento".
entretanto, além da remoção do combustível
usado, não há consenso sobre o que deve acontecer a seguir.
Nenhum reator de dimensões normais foi desmontado em lugar algum
do mundo. Ainda que alguns países planejem retirar toda a estrutura,
até mesmo as partes radioativas, restando um espaço plano
desocupado; outros sugerem deixar a edificação onde está,
cobrindo-a com concreto ou, possivelmente, enterrando-a sob um monte de
terra.
O custo do descomissionamento dos reatores nucleares é objeto de
muita especulação. As estimativas de custo originam-se de
estudos genéricos, a partir da projeção dos custos
de descomissionamento de pequenas instalações de pesquisa.
O detalhamento e a sofisticação empregados no desenvolvimento
dessas estimativas varia demais; a falta de padronização
torna difíceis as comparações. Além disso,
a limitada experiência de descomissionamento - nenhuma, se considerados
reatores de grande porte - torna impossível saber se as estimativas
são razoáveis,mas já se sugeriu que os custos de descomissionamento
poderiam ser de até 100% do custo de construção inicial.
Nas próximas três décadas, mais de 350 reatores nucleares
serão desativados. Quarenta anos depois de a primeira usina nuclear
começar a produzir eletricidade, a indústria nuclear ainda
não tem respostas sobre como desmantelar, de forma segura e economicamente
eficiente, um reator.
