Resistência Antibiótica em Organismos Geneticamente Modificados
Muitos cultivos transgênicos que já estão sendo plantados em escala comercial em alguns países, contem genes resistentes a antibióticos. Por sua vez são estes antibióticos os mesmos usados em tratamentos de doenças humanas e animais. Estes genes são desnecessários para as plantas em si, mas podem minar os efeitos dos tratamentos de doenças, caso a resistência antibiótica seja transferida, através da cadeia alimentar, para o organismo dos homens e animais.
Porque eles são usados?
As técnicas utilizadas
para introduzir um gene estrangeiro num organismo tem alcançado
pouco sucesso. Sendo assim, os cientistas tem que testar se o experimento
genético funcionou. Os testes são feitos selecionando um
determinado tipo de organismo geneticamente modificado (como por exemplo
um que possua a característica de resistência à insetos)
e neste organismo são inseridos genes que dão resistência
a determinado antibiótico. Desta forma as células modificadas
crescem num ambiente contendo antibióticos. As que forem capazes
de sobreviver, serão aquelas que contem um gene de resistência
antibiótica. A partir desta constatação, pode-se concluir
que estas células foram modificadas geneticamente com sucesso e,
assim sendo, estão prontas para serem cultivadas.
Genes de resistência
antibiótica tem sido usados no desenvolvimento de muitos cultivos
transgênicos que agora estão sendo plantados em escala comercial.
O Milho resistente a herbicidas e insetos, produzidos pela Novartis contem
genes de resistência a Ampicilina. Tanto o tomate transgênico
que demora mais para amadurecer, como a canola transgênica resistente
a herbicidas, contém os genes de resistência aos antibióticos
Kanamicina e neomicina.
Apesar dos genes de
resistência antibiótica não possuírem nenhum
outro uso no desenvolvimento e crescimento das plantações
depois do processo de seleção inicial, eles permanecem no
tecido do organismo durante toda sua vida . Este fato é de grande
preocupação, uma vez que está relacionado com as conseqüências
possíveis para saúde humana e animal.
Ameaças a saúde dos homens e animais
Os antibióticos
tem sido usados constantemente para tratar doenças infecciosas desde
os anos 40, além de serem utilizados na alimentação
animal a fim de prevenir doenças e favorecer seu crescimento. Entretanto
o uso excessivo destes medicamentos produz bactérias resistentes
a esses mesmos antibióticos, provocando muitos problemas médicos
e veterinários em todo mundo. Em 1990, quase todos os tipos de doenças
causadas por bactérias tinham, no mínimo, desenvolvido resistência
parcial a antibióticos. Em alguns casos como o da infecção
"Staphylococcus" o antibiótico tornou-se praticamente ineficiente.
Os genes marcadores
são, frequentemente, resistentes a antibióticos utilizados
em larga escala na medicina humana e animal. Ao se ingerir alimentos derivados
de cultivos transgênicos, há o risco desses genes de resistência
antibiótica serem transferidos para bactérias do organismo
dos seres humanos, tornando-as imunes a drogas feitas com antibióticos
para o tratamentos de doenças. A resistência antibiótica
também pode ser transferida para as bactérias do solo a partir
da decomposição de partes das plantas.
Os defensores da engenharia
genética argumentam que a probabilidade de que ocorra a transferência
deste gene é pequena, mas cientistas e autoridades que fazem as
regulamentações, afirmam que mesmo o menor risco seria inaceitável.
Uma pesquisa recente realizada com alopatas ingleses revelou que 57% acham
que o milho transgênico da Norvatis deveria ser banido até
que o gene de resistência à ampecilina fosse removido. Da
mesma forma, o Comitê de assessoria para novos alimentos e processos
do Reino Unido aconselhou o governo britânico à votar contra
à autorização do Milho da Norvatis na Europa, em virtude
dos riscos que a resistência antibiótica representa para o
ser humano.
Um risco inaceitável
Produtores de plantas
transgênicas contendo genes de resistência antibiótica
argumentam que, mesmo se estes genes fossem transferidos para as bactérias
do organismo de homens e animais, isto faria pouca diferença nos
níveis de antibióticos, que já são muito altos.
Tal atitude se mostra bastante irresponsável, uma vez que qualquer
crescimento de resistência antibiótica pode causar um desastre
na medicina humana e animal.
O milho da Norvatis,
por exemplo, confere resistência à ampecilina, que pertence
ao grupo antibiótico da penicilina. Estes são os antibióticos
mais comuns usados no tratamento de muitas doenças graves. A ampecilina
em si, é utilizada frequentemente no tratamento de pneumonia, bronquite
e difteria.
Similarmente, muitos
cultivos transgênicos contém genes de resistência à
kanamicina, o que é preocupante na medida em que uma simples mutação
neste gene poderia dar resistência contra os antibióticos
feitos de Amikacina. Este último é visto como um "reserva"
ou um antibiótico de emergência na medicina. Até o
momento, ele é usado criteriosamente, a fim de que não ocorra
o desenvolvimento de bactérias resistentes a este antibiótico.
Os riscos associados
a resistência antibiótica em cultivos transgênicos são
claramente inaceitáveis. Sistemas alternativos de marcação
estão disponíveis à vários anos. O "United
Kingdom’s Advisory Committee on Releases to the Environment" (ACRE), ou
Comitê de liberações no Ambiente, observou que "é
uma boa prática não inserir em plantas genes desnecessários,
que não tem propósito para plantas transgênicas". Outros
descreveram a prática de introdução de genes de resistência
antibiótica como "engenharia genética descuidada".
A necessidade da precaução e da proibição
Por causa de presença
desnecessária de genes de resistência antibiótica,
e das sérias implicações para saúde humana
e animal, muitos comitês de biossegurança e governos tem se
oposto a introdução destes tipos de cultivos.
OA Noruega baniu os
transgênicos completamente. A Áustria e Luxemburgo proibiram
o milho transgênico da Novartis e a Suíça proibiu um
experimento com batatas transgênicas porque elas continham o gene
de resistência à Kanamicina. Desde a Associação
de Médicos Britânicos até o Parlamento Europeu, a variedade
de instituições que clamam pela proibição dos
genes de resistência antibiótica é enorme.
A precaução
exige claramente que qualquer uso de resistência antibiótica
seja proibido. Não há razão para correr riscos de
aumentarmos as ameaças de resistência antibiótica para
servir aos interesses de curto prazo de empresas. A Norvatis, a maior produtora
do setor farmacêutico, deveria se envergonhar de sua política.

